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TRADUÇÃO LIVRE

Extraído de: Ève-Marie Zizza-Lalu & Alain Vavro - Paul Bocuse, Le feu sacré, Grenoble (França), Glenat, 2005, pg. 96.

“Eu tive uma vida amorosa movimentada. Meus próximos sabem, adoro as mulheres. Nos anos 70, vivemos uma época de liberdade extraordinária. Era até mesmo meio louco. Em 1968, disse à uma célebre Crítica americana para provocá-la: “O dia em que vc me come por cima, te como por baixo”. Algumas semanas mais tarde, eu o fazia... Como ela queria sempre mais, eu a disse que meu amigo Jean Troisgros* tinha uma fantasia: Fazer amor num avião embaixo das cataratas do Niagara. Pois ela alugou um avião e o levou até lá! Ela mais tarde trocou os nomes e contou essa história num romance. Quando eu reabri o restaurante de meu pai, haviam 9 mesas e o mesmo nº de quartos, o que me permitia alugá-los à tarde. Minha mãe pensava que tal, entretanto, podia prejudicar a reputação do restaurante. Com ajuda do sucesso, transformei os quartos em salões privados, mais corretos.

Há muitos pontos em comum entre a cozinha e o sexo. Consuma-se uma união, os olhos devoram-se, se tem fome do outro...O homem sempre precisou comer e se reproduzir, e em ambos os casos é necessário se passar à panela. Reconheço que esta visão é um pouco machista, mas sou de meu tempo e creio que, não importa o que digam, as mulheres adoram os machões. É preciso desfrutar da vida ao máximo, pois não se sabe quando nem como ela vai terminar. Hoje, é junto à natureza que me sinto melhor, em meu sítio, com meus cachorros, e meus amigos quando estes me acompanham. Não me arrependo de nada, salvo talvez da mágoa que possa ter causado às mulheres da minha vida. Espero que elas me perdoarão.”

PAUL BOCUSE

*Também um famoso cozinheiro francês.