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IRACEMA


O que foi feito de Fortaleza -CE afinal, onde foi parar aquela cidade praiana, seu vento característico, as casas da Aldeota?...
Geograficamente Fortaleza continua no mesmo lugar, embora metaforicamente seja perfeitamente legítimo indagar o paradeiro da cidade...em algum lugar do passado pode ser uma pista, lá por 1987 talvez, como sugeriu o colega de trabalho, filho da terra e escritor de renome...
Hoje quase só há espigões, Flats, Shoppings, o clima mudou devido ao paredão de prédios em que se transformou a Av. Beira mar...respira-se um bafo na cidade, sem falar no trânsito e na desorganização, uma pena. Fiquei pensando onde vai parar o dinheiro da taxa de turismo e dos impostos sobre serviços - o calçamento das ruas é péssimo e a miséria continua lá, intocada, “tudo como dantes...
A Praia do futuro tem uma história engraçada, pois revelou-se ‘sem futuro’, salvo para os donos das mega- Barracas na parte nova, verdadeiros mini- Resorts: Vc come, bebe, faz massagem, curte a piscina e, se quiser,...vai à praia! A parte velha é uma decadência só, tida por perigosa pois é perto de uma favela; sobrevivem só algumas Barracas muito simples frequentadas por moradores e turista mais aventureiros - em 2001 um crime bárbaro marcou a região - bárbaro pq. simples: Roubar, matar e enterrar, tudo no mesmo lugar! Cometido por um dono de Barraca falido e enlouquecido, refletiu a decadência da região e prostitutas, outra grande atração local(...), foram usadas como iscas para atrair um grupo de turistas para o local do crime.
Aliás, as européias devem ser horrorosas, ou detestar sexo (ou as 2 coisas...), se levarmos em conta o nº de europeus atrás de serviços sexuais em Fortaleza - será que esses caras (muitos novos ainda) não arrumam mulher sem pagar não? Faça como eu amigo português ou italiano, manda um brinco para ela na praia que ela gosta... mulher tem que conquistar...
Agora, dizer que não tem diversão em Fortaleza, apesar dos problemas, é um exagero e tanto!
Na restauração, devo confessar minha paixão pelos restaurantes praianos que servem pescados, quanto mais simples melhor! ‘Alfredo’, ‘Marquinhos’ e a ‘Peixada do meio’ (todos ali no Mucuripe) não decepcionam - eu seria capaz de comer ‘peixada cearense’ todo dia durante 1 ano, juro...
Uma boa surpresa desta vez foi conhecer o ‘Chez Patrick’ em Iracema, improvável restô de um francês que gosta de reunir os amigos franceses radicados na capital cearense no seu Bistrô...Acolhida e serviço precários (vc está no Nordeste, dê um desconto!), mas preços justos e comida de primeira caracterizam o Bistrô de Patrick, onde comi um filet au poivre louvável, que me fez lembrar o brasiliense ‘La Chaumière’ e a própria França, bien sûr! O ambiente simples mas agradável e a boa cozinha tornam a visita ao restô de Patrick uma alternativa interessante aos programas mais tradicionais da cidade... comer caranguejo, dançar forró, tomar caipirinha, enfim...
Recomendo o restaurante de Patrick a vc amigo(a), que talvez visite Fortaleza em breve - como a moça não aceitou o brinco que mandei para ela na Praia do futuro, eu não vou a Fortaleza tão cedo...

CHEZ PATRICK
R. Tomás Lopes, Iracema
Fortaleza-CE




Cozinha **1/2
Serviço **
Preços **1/2
Ambiente **+
Acolhida não se aplica
-

***- Excelente
**- Bom/regular
* - Sofrível
Comentários

disse:

Caro Marcelo, Desta vez sou o primeiro. Se bem, dizem: os primeiros serão os útimos. De qualquer modo, é sempre um prazer para mim participar de um site gastrômico de tanto prestígio como o seu. Como sempre, após seus comentátios ricos e precisos, já estou de malas prontas para Fortaleza onde seguirei quase religiosamente sua orientações. Um abraço. Rogério.
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Postado em: 09/02/2010
antonello monardo disse:

Não ganhei a garafa, mas pelos menos posso degustar uma taça deste vinho frances? Abraços.
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Postado em: 10/02/2010
Marcelo Saboia disse:

O almoço sexta inclui vinho Antonello... abs
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Postado em: 10/02/2010
Adriano Vasconcelos disse:

Marcelo, a nostalgia em sua fala é a de quem ama e cuida e sente saudade. Sinto o mesmo quando retorno a Curitiba, cidade que já foi modelo de sistema de tranporte coletivo e ecologia, hoje com todos os seus rios podres e mortos e um trânsito infernal. Trânsito para os que podem ter carro, que a maioria ainda tem que andar espremida como em uma lata de sardinha nos ônibus futuristas da capital paranaense. Estive em Fortaleza em 2007 e pude notar esse avanço do capital extrangeiro tanto nos prédios e shoppings quanto no turismo sexual. Por outro lado, há a comida. Como disse, ambientes simples, sem nenhuma pretensão, mas deliciosa e barata. Foi no Ceará que comi o melhor baião de dois da minha vida. E pode me incluir na peixada cearense, também comeria isto o ano todo. O bom pargo na beira do mar, a cachaça, o forró e o vento (bota vento nisso) que refresca até a alma. Me pergunto se tem que sempre ser assim, o turismo que leva tanto dinheiro tem também que levar a destruição ou descaracterização completa das cidades? Espero que um dia (logo) aprendamos a conciliar turismo e desenvolvimento com proteção ao patrimônio, incluída aí a qualidade de vida dos nativos. Saudações Gastronômicas, Adriano.
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Postado em: 10/02/2010
Marcelo Saboia disse:

É isso aí Adriano! abs
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Postado em: 10/02/2010